Faz um tempinho que eu achei um pendrive vermelho perdido no meu quarto, dentro de um baú cheio de brinquedinhos velhos pequenos q eu tava arrumando. Uns dias dps, minha mãe entrou no meu quarto e viu ele na minha estante e perguntou oq ele tava fazedo lá. Eu falei onde eu tinha achado e ela pegou e colocou na mesa do quarto dela. Hj eu fiquei curiosa e decidi ver oq tinha nele já q eu n fui pra aula. Qndo eu abri ele no meu computador, dentre algumas pastas tinha uma chamada "fotos mae", e qndo eu abri, tinham várias fotos e vídeos de quando eu era neném, q minha mãe gravou provavelmente antes de roubarem o celularzinho dela. Nesse celular tinham várias fotos minhas de quando pequena tbm, mas eu acho q pelo menos algumas delas foram passadas pra esse pendrive. Eu nunca tinha visto essas fotos, ent provavelmente até ela achou q tinha perdido o pendrive.
Nos vídeos, as vezes a minha avó cantava musiquinhas feitas na hora pra mim, tipo inventando coisas aleatórias pra juntar uma melodia. A minha mãe faz isso até hj. Eu lembro bem da minha vó fazendo isso, sabia q eu n tava ficando louca. A vovó parecia mais feliz, pelo menos enquanto eu n descobri as coisas q a minha mãe passou qndo nova. Ela nunca escondeu nada de mim, ent eu acabei descobrindo coisas q deram uma leve derrubada no meu relacionamento com os meus avós. Principalmente dps da vovó ter me chamado de vadia qndo eu tinha 9 anos de idade. Credo. Tem fotos da viagem q nós 3 fizemos pra Bahia (inclusive eu ainda tenho a regatinha do Projeto Tamar q a gente pegou, que por incrível q pareça ainda serve e eu uso de pijama kkkkk), e até uma foto minha no médico quando bebê, comigo na balança pesando 7,6kg, dps 8,1kg... Isso com meses de idade kkkkk eu era enorme.
Em algumas fotos, o Nelson aparece, um vizinho da nossa antiga casa. Ele ainda mora lá mas ele precisa de uma cuidadora por conta do Alzheimer dele. Ele ficou mto mal dps q a Marlei, a mulher dele, morreu durante a pandemia. Nas fotos ele aparece me carregando no colo. Eu lembro dele ser muito fofo. A gente se mudou de lá qndo eu tinha 8 anos, em novembro de 2017. É estranho pensar no quão diferente a nossa vida poderia ter sido se a gente nunca tivesse saído de lá. Eu sinto falta da nossa rua e das minhas amigas q moravam lá, de escutar o sino da igreja bater todos os dias, de voltar da escola a pé com o meu avô e de quando ele me levava na pracinha. Eu adorava o balanço. Eu sinto falta de brincar no balanço, talvez eu devesse ir até a praça aq perto de casa ficar lá um pouco.
Qndo a gente foi visitar o Nelso esses dias, ele tava mto diferente mas ao msm tempo n irreconhecível. Mais velho, lógico (ele tem mais de 90 anos), mas tinha algo diferente no rosto dele. Como se fosse uma pessoa diferente. Acho q Alzheimer te deixa assim msm. Qndo eu entrei, ele cumprimentou meus avós e minha mãe com um abraço, mas qndo eu fui abraçar ele, ele meio q rejeitou de início. Eu já adivinhei q talvez ele n lembrasse de mim, afinal de contas eu mudei bastante até, ent eu me afastei. Aí a filha dele, q cuida dele durante algumas horinhas do dia, falou pra ele "É a Lavínia, q morava aq perto de casa, lembra? Vc via ela qndo mto pequenininha. Lembra dela?" Nessa hora ele arregalou os olhos e me deu um puta de um abração, super apertado. Ele olhou pra minha mãe e perguntou "É sua filha?? Nossa como ela é linda! Como ela ta bonita!" segurando a minha mão com um olhar tão diferente q eu nem soube reagir. Todo mundo se sentou na sala, e toda a vez q alguém perguntava alguma coisa pra ele ou pra mim, ele só virava pra mim e falava "Nossa, vc é bonita msm. Vc é mto linda viu? Mto msm." e coisas assim. Se um homem mais velho ficasse me elogiando toda a hora desse jeito eu ia achar bizarro, mas ele me falava isso com tanta doçura, tanta pureza. Acho q foi a primeira vez q eu acreditei de vdd em alguém q me elogiou.
Tem tanta gente q eu n vejo faz mto tempo... Nelson, Marlei, a faxineira Tereza, minha amiguinha da creche Eloá, além de muita gente q eu ou n lembro ou n tenho ideia de quem é. Tem a minha melhor amiga Manu tbm. Eu ainda tenho o número dela, mas a gente quase n conversa apesar de querer mto marcar de se ver. Ela era minha vizinha. A gente se gritava por cima do muro chamando a outra pra brincar, e eu ficava triste qndo ela tirava um cochilo a tarde ao envés de vir brincar cmg. A baa dela sempre fazia lachinho com pão francês pra gente de noite, e nos dava um pedaço de bolinho da Seven Boys tbm. Ela uma delícia passar o dia na casa dela, e eu amava qndo ela vinha em casa tbm. Qndo eu ou ela tinha q ir embora, eu chorava muito. Eu n sei se eu reparava nisso na época, mas eu era mto sozinha. Até pouco tempo atrás, eu ainda era. Só agr com 16 anos eu posso dizer q eu tenho amigos de vdd q eu amo e q eu sei q me amam tbm. Mas ela era como uma irmã, e sempre vai ser. Minha melhor amiga agora, a Ayumi, tbm é uma irmã pra mim, e ela até chama a minha mãe de mãe kkkkk. Mal ela sabe q ela tem uma irmã lol.